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BLOG DO CARLOS EUGÊNIO | sábado, 27 de junho de 2026

 

O professor e escritor Adelmo Camilo, membro da Academia de Letras de Garanhuns, publicou um texto crítico sobre o espaço destinado à literatura dentro do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG).

 

 

Intitulado “O Silêncio das Palavras no Inverno de Garanhuns”, o artigo faz um apelo à Gestão Municipal e aos organizadores do evento para que a literatura volte a ocupar posição de protagonismo no maior Festival Multicultural do Nordeste.

 

 

No texto, Adelmo demonstra preocupação com o afastamento da tradicional “Praça da Palavra” de seu local histórico, afirmando que a mudança representou mais do que uma alteração geográfica, mas também o distanciamento do pensamento, do livro e do debate cultural do centro do Festival.

 

O Escritor reconhece a importância das grandes atrações musicais e do apelo popular dos shows, mas ressalta que a cultura não pode se sustentar apenas pelo entretenimento imediato. Segundo ele, oficinas, rodas de conversa, lançamentos de livros e encontros literários são fundamentais para estimular o pensamento crítico e fortalecer o legado cultural do FIG.

 

 

“Garanhuns não merece uma literatura de bastidores; merece uma literatura de protagonismo”, escreveu Adelmo ao defender maior valorização dos escritores locais, regionais e nacionais.

 

Apesar das críticas, o texto adota um tom respeitoso e reforça que o objetivo é contribuir para o fortalecimento da cultura no Município. “A cultura precisa rimar diversão com consciência”, destacou o Autor ao final do Artigo.

 

 

Vale registrar que a Praça da Palavra funcionou até 2022 na Praça Souto Filho (Fonte Luminosa). Em abril passado, ao divulgar a programação completa do 34ª FIG, a Prefeitura de Garanhuns informou que a Praça da Palavra será retomada nesta edição do Evento.

 

 

O espaço funcionará entre os dias 18 e 25 de julho, na Praça Tiradentes, ao lado do Centro Cultural. Segundo a Secretaria de Cultura do Município, a programação contará com “contações de histórias, apresentações musicais, lançamentos de livros, palestras e rodas de conversa”. Confira o artigo do Escritor na Íntegra após a publicidade. (@blogcarloseugenio)   

 

 

“O SILÊNCIO DAS PALAVRAS NO INVERNO DE GARANHUNS

 

Garanhuns sempre foi conhecida por seu clima que acolhe e por sua vocação natural para a poesia. Quando o frio de julho chega, nossa cidade historicamente se transforma no epicentro da cultura nordestina. No entanto, quem caminha pelas ruas do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) nos últimos anos, tem sentido um frio diferente e doloroso: o gélido silêncio que se abateu sobre a nossa literatura.

 

Assistimos, com profunda preocupação e tristeza, ao distanciamento da nossa histórica “Praça da Palavra” de seu local de tradição. Mais do que uma mudança geográfica, essa alteração simbolizou o desalojamento do pensamento, do livro e do debate humanista do coração do Festival. Um evento dessa magnitude não pode reduzir a força da palavra escrita a um papel secundário.

 

É compreensível e legítimo que a Secretaria Municipal de Cultura valorize as atrações musicais de grande apelo popular e os sucessos do momento; a música é festiva e arrasta multidões. Todavia, a cultura de um povo não se constrói apenas com o efêmero. Uma programação robusta, que traga nomes de referência da literatura local, regional e nacional, é o que garante o legado duradouro do FIG. São as oficinas, os lançamentos, as contações de histórias e os encontros literários que plantam nas nossas crianças e jovens a semente da autonomia e do pensamento crítico.

 

Como ignorar a nossa própria riqueza literária? Como deixar de homenagear e celebrar, no palco das palavras, os mestres que nos deixaram e os novos escritores que desbravam o mundo com a ponta da caneta (ou das teclas)? Garanhuns não merece uma literatura de bastidores; merece uma literatura de protagonismo.

 

Este não é um ataque, mas um apelo sincero e respeitoso de quem acredita na arte como ferramenta de transformação. Que a gestão municipal e os organizadores do FIG olhem para a Literatura não como um gasto ou um detalhe burocrático, mas como a alma do festival.

 

Queremos os grandes shows, sim, mas também queremos de volta o aconchego das páginas, o espaço sagrado da “Praça da Palavra” em seu devido lugar e a certeza de que, em Garanhuns, o livro continua sendo o nosso maior portal para o infinito.

 

A cultura precisa rimar diversão com consciência. Que no próximo inverno, a palavra volte a aquecer o coração da nossa gente.

 

(Adelmo Camilo)”.