
O portal UOL noticiou que uma auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS), iniciada em fevereiro deste ano, após denúncias de Deputados Estaduais da Oposição, teria identificado falhas relacionadas a documentação de procedimentos realizados pela Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizada em Garanhuns, e recomendou a devolução de R$ 905.233,95 ao Fundo Nacional de Saúde.
Segundo o relatório, foram identificadas falhas em Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs), com cerca de R$ 897 mil em pagamentos considerados “indevidos” por procedimentos não comprovados nos prontuários analisados.

Entre os casos, segundo o DenaSUS, estão cirurgias e tratamentos oncológicos e procedimentos de hemodiálise. Outros cerca de R$ 8 mil reais (R$ 7.900,00) seriam referentes ao piso da enfermagem pagos a profissionais que, de acordo com a auditoria, já não trabalhavam na Instituição.
A Auditoria também questionou a existência de seis termos de credenciamento entre o Estado e o Hospital, avaliando que o modelo dificulta o acompanhamento financeiro e não estabelece metas de desempenho. O exame apontou falhas nos mecanismos de controle e acompanhamento dos recursos públicos.
Segundo o DenaSUS, a Unidade é o único prestador privado de UTI, oncologia e nefrologia do Agreste Meridional. Ainda segundo o Órgão, os auditores examinaram a aplicação de recursos federais repassados entre janeiro de 2023 e julho de 2025. Nesse período, o Hospital atendeu milhares de pacientes nos segmentos de oncologia, hemodiálise, diálise peritoneal e UTI adulta, recebendo cerca de R$ 56 milhões do SUS pelos serviços.

A reportagem do UOL cita que a direção da Unidade possui entre os sócios, o empresário Jorge Branco, que é casado com a Vice-governadora Priscila Krause há 20 anos. Entretanto não foram identificados “conflito de interesses” ou “quebra do princípio da impessoalidade ou eventual favorecimento Institucional”, que segundo declarou o diretor do DenaSUS, Rafael Bruxellas Parra, eram “pontos centrais da Auditoria”.
Em nota enviada ao UOL, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco informou que pretende “recorrer à Justiça e solicitar a revisão das conclusões apresentadas no relatório final do DenaSUS”. A Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro também contestou as conclusões apresentadas pelo DenaSUS.

Confira o posicionamento do Hospital Perpétuo Socorro:
“Há 55 anos a Instituição integra a rede complementar da rede pública de saúde, prestando serviços hospitalares à população local e de municípios vizinhos, ao longo de governos de diferentes matizes políticas, em todas as esferas. Essa trajetória é, para a Casa de Saúde, motivo de orgulho e de responsabilidade redobrada com a transparência e com a qualidade assistencial.
Os valores apontados no relatório final representam aproximadamente 1% do total de recursos auditados no período, incidindo, em sua maior parte, sobre divergências de entendimento quanto à codificação administrativa aplicável a cirurgias oncológicas efetivamente realizadas.
A Casa de Saúde entende que essa forma de avaliação, quando dissociada da avaliação clínica do profissional que efetivamente assistiu o paciente, invade um espaço que a Lei reserva à autonomia médica. É o médico assistente quem examina o paciente, quem domina a técnica cirúrgica pertinente ao caso, quem conhece as particularidades e as limitações assistenciais da Região onde atua, e quem, no Centro Cirúrgico, toma a decisão técnica sobre a via de acesso e a reconstrução mais adequadas a cada caso concreto. Essa decisão é do Médico e da Direção da Casa de Saúde jamais partiu qualquer orientação, direta ou indireta, que interferisse na autonomia técnico-científica dos profissionais que atuam na instituição.
Diante disso, a Casa de Saúde informa que irá questionar, pelas vias cabíveis, os valores apontados no relatório final, com base na documentação médica, que fundamentam a adequação dos procedimentos realizados, reafirmando seu compromisso permanente com o SUS e com a população que atende há mais de cinco décadas”.
O Hospital Perpétuo Socorro mantém convênios com o Poder Público antes mesmo da criação do SUS, quando os atendimentos eram regulados pelo extinto INAMPS. Atualmente, segundo a Unidade, são atendidos cerca de 450 pacientes, regulados pelo SUS, por dia, sendo aproximadamente 350 em tratamento de hemodiálise, além de oferecer serviços como UTI e outras especialidades, sendo referência para Garanhuns e para o Agreste Meridional. (@blogcarloseugenio, com informações do UOL)