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BLOG DO CARLOS EUGÊNIO | quinta-feira, 23 de julho de 2026

 

Passados três anos e cinco meses desde que o Prefeito Sivaldo Albino notificou o Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG) para que desocupasse o Casarão localizado na Praça Dom Moura, no centro da Cidade, sob a justificativa da necessidade urgente de reforma do imóvel, a edificação construída em 1919, pelo arquiteto italiano Bruno Giorgio, segue abandonada pela Prefeitura de Garanhuns.

 

 

A justificativa para o pedido de desocupação, em janeiro de 2023, era que imóvel apresentava sérios problemas estruturais e necessitava de uma reforma urgente. Porém, passados mais de 41 meses da entrega oficial das chaves pelo IHGCG, o Casarão permanece sem que as obras prometidas tenham sido sequer iniciadas, e o pior, cheio de mato e castigado pela ação do tempo, evidenciando o cenário de abandono do patrimônio histórico do Município.

 

 

Considerado um dos patrimônios da história de Garanhuns, o Casarão foi adquirido pela Prefeitura em 2004, após pertencer por 85 anos a importantes figuras da história política e econômica do Município. O imóvel foi cedido ao Instituto Histórico em 2013, e, por cerca de dez anos, abrigou parte da memória e do acervo histórico do Município.

 

 

CRONOLOGIA DO ABANDONO – A cronologia dos documentos oficiais, obtidos pelo Blog do Carlos Eugênio junto ao Instituto, demonstra que, em 6 de janeiro de 2023, por meio do Ofício nº 21/2023-GP, assinado pelo Prefeito Sivaldo Albino, a Prefeitura determinou a desocupação do imóvel em até 30 dias. O documento afirma que a Defesa Civil havia constatado o “comprometimento da estrutura física do casarão” e que a retirada do Instituto era necessária para “permitir uma ampla reforma interna e externa”, considerada urgente para evitar acidentes.

 

 

Mesmo após o Instituto manifestar, em resposta oficial, que ocupava legalmente o imóvel desde 2013, por força da Lei Municipal nº 3.898/2013, e destacar que havia investido recursos próprios na recuperação e manutenção do imóvel ao longo dos anos, a Administração Municipal reiterou a determinação por meio do Ofício nº 114/2023-GP, de 28 de fevereiro de 2023, reafirmando que a desocupação imediata era imprescindível para o início das intervenções anunciadas.

 

 

Diante da determinação do Município, o Instituto entregou oficialmente as chaves do imóvel em 27 de fevereiro de 2023, acreditando que o prédio seria restaurado conforme prometido pela própria Prefeitura.

 

 

Na mesma data, também foi entregue um acervo histórico, que estava sob a guarda da Entidade, composto por móveis pertencentes ao Ex-prefeito Celso Galvão, um piano, um relógio de parede doado pelo Conde d’Eu, mobiliário do antigo prédio da Câmara Municipal e 42 quadros e reproduções de pinturas.

 

 

Além do abandono do imóvel, chama atenção a ausência de informações públicas sobre a situação do acervo histórico entregue à Prefeitura. Os documentos comprovam que todos os bens foram formalmente recebidos pela Administração Municipal em 27 de fevereiro de 2023.

 

 

Assim como o Casarão, a expectativa é que o acervo lá deixado também esteja em estado de abandono, o que, em se confirmando, se configurará como o abandono do patrimônio histórico de Garanhuns. A Prefeitura de Garanhuns ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto. (@blogcarloseugenio, com imagens de Amannda Oliveira/Blog Falando Francamente e Blog Garanhuns Instituto)